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O perigo a um clique

March 6, 2017

 

QUASE METADE DAS crianças e adolescentes brasileiros exibe seu perfil em redes sociais no modo público, e 76% revelam o sobrenome. Esses dados alarmantes foram constatados pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), que atua junto à Unesco, em pesquisa divulgada em outubro deste ano. O estudo, que ouviu jovens de 9 a 17 anos entre 2015 e 2016, também descobriu que muitas crianças revelam onde estudam (40%), informam na web seu número de telefone (31%), o lugar onde estão no momento (30%) e até onde moram (23%).

 

Se a internet já é uma realidade inevitável na vida das crianças em idade escolar, é importante que os pais saibam como tornar esse ambiente virtual mais seguro. E, segundo a pesquisa, parece que essa preocupação está presente na maioria dos lares: 63% afirmam ficar por perto enquanto os filhos utilizam a internet, e 74% ensinam a eles jeitos de navegar com segurança.

 

“Se a criança usa alguma rede social, o que não é aconselhável para menores de 13 anos, os pais devem estar atentos sempre. Ter a senha de acesso e conferir amizades suspeitas, como pessoas mais velhas que os pais não conheçam, são cuidados essenciais para evitar os perigos da internet”, aconselha Frederico Abelha, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Belo Horizonte.

O professor de segurança digital da UFMG Leonardo Barbosa diz que o ideal é impor limites de forma moderada: “É importante que a criança não seja exposta, mas também que não se sinta alheia, por isso é fundamental conversar abertamente sobre as restrições e explicar o motivo de elas serem aplicadas.”

 

Um dos principais motivos é a pedofilia, que ganhou força com o uso cada vez maior da internet pelas crianças. O promotor de justiça Casé Fortes, um dos maiores expoentes no combate à pedofilia no país e autor do livro Todos Contra a Pedofilia, aponta a falta de supervisão das crianças na internet como um grande fator de risco para a segurança. “É importante estar atento a todas as amizades e aos conteúdos que os filhos consomem na internet, pois o criminoso procura maneiras de criar laços afetivos com a vítima, ganha confiança, para depois começar a se comportar de maneira suspeita e buscar um encontro físico”.

 

A pesquisa do Cetic ilustra a facilidade para fisgar os internautas inocentes: 39% das crianças já adicionaram à lista de contatos pessoas que não conheciam pessoalmente e 18% chegaram a se encontrar pessoalmente com alguém que conheceram na internet.

A psicóloga Izabela Roman, especialista em casos de abuso infantil, aponta para a importância de uma relação aberta entre pais e filhos, na qual os adultos, além de protegerem dos perigos, sejam solícitos a responder às dúvidas das crianças. “Se uma criança se depara com um cenário desconhecido na internet, como imagens de nudez, ela vai procurar saber sobre o assunto, e, se os pais não se mostrarem disponíveis, ela vai procurar em fontes não tão seguras”.

 

 

 

A responsabilidade dos pais

 

Os cuidados com a exposição das crianças na internet também valem para você, papai ou mamãe que adora postar as fotos dos seus filhos no Facebook ou Instagram assim que eles nascem. Recentemente, uma adolescente austríaca de 18 anos entrou na Justiça contra o pai pedindo que todas as suas fotos de criança fossem removidas da internet, alegando que são constrangedoras. A Justiça brasileira terá trabalho para julgar algum caso parecido, se essa discussão chegar ao país: “Desde que o Marco Civil da Internet entrou em vigor, a liberdade de expressão prevista por ele entrou em choque com os artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente e do tratado internacional de proteção aos direitos da criança, que preveem o direito à preservação da imagem, do nome e de todos os aspectos da vida privada da criança”, diz Fabrício Polido, professor da Faculdade de Direito da UFMG. Na dúvida, pense sempre em preservar a privacidade do seu filho — se não pelo risco de ser processado por ele no futuro, ao menos para garantir sua segurança no presente!

 

Fonte: Revista Canguru/novembro.

 

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